Ramerrame

Na indolência da rotina, o ânimo esmaecido, o itinerário previsto, o despertador tocado.

No clichê da manhã, a cafeína desassossegada, o colarinho com gravata, o vai-com-deus-e-não-demore.

Na atrofia do escritório, a reunião desmarcada, o grampeador quebrado, o chefe tresloucado.

Na enunciação da avenida, o freio nervoso, as rodas engarrafadas, as testas enrugadas.

Na conciliação do bar, os ombros roçantes, o bate-garrafa, as choradeiras alcoólicas.

Na desfaçatez da noite, a angústia comedida, a culpa arrependida, o cansaço distraído.

No axioma do travesseiro, a mente poluída, o corpo derretido, o samba horizontal.

Na incongruência dos sonhos, os nomes trocados, a mecânica desacertada, a alma emancipada.

Na indolência da rotina, o ânimo esmaecido, o itinerário previsto, o despertador tocado.

1 Comentário

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Uma resposta para Ramerrame

  1. Luiz Carlos S.Pereira

    Lorena
    Boa análise do cotidiano. Feliz quem,como você, sabe descrever a rotina de uma rotina. Não há dúbida que foi na observação que você foi buscar
    a feliz prosa de um nervoso admirar da vida.

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