Na indolência da rotina, o ânimo esmaecido, o itinerário previsto, o despertador tocado.
No clichê da manhã, a cafeína desassossegada, o colarinho com gravata, o vai-com-deus-e-não-demore.
Na atrofia do escritório, a reunião desmarcada, o grampeador quebrado, o chefe tresloucado.
Na enunciação da avenida, o freio nervoso, as rodas engarrafadas, as testas enrugadas.
Na conciliação do bar, os ombros roçantes, o bate-garrafa, as choradeiras alcoólicas.
Na desfaçatez da noite, a angústia comedida, a culpa arrependida, o cansaço distraído.
No axioma do travesseiro, a mente poluída, o corpo derretido, o samba horizontal.
Na incongruência dos sonhos, os nomes trocados, a mecânica desacertada, a alma emancipada.
Na indolência da rotina, o ânimo esmaecido, o itinerário previsto, o despertador tocado.
Lorena
Boa análise do cotidiano. Feliz quem,como você, sabe descrever a rotina de uma rotina. Não há dúbida que foi na observação que você foi buscar
a feliz prosa de um nervoso admirar da vida.