No liqüidificador da vida, a água vem em onda, marola, redemoinho. Sempre líqüida. Nos deixa em estado de ebulição, de fervor, de gelo no vapor. Inunda a sala, o quarto e entra no sapato. Encrespa o cabelo, cola a roupa e faz bolha. Embaça o espelho. Deixa o caminho escorregadio. Sempre líqüida. Carrega o milagre no esperma. Esvai a esperança na menstruação. Destila a tristeza e a alegria incontida na lágrima. Degusta, na saliva, os (dis)sabores da estrada. Expulsa o mal pela urina. Corre a vida pelo sangue. Sempre líqüida.
Não seque a água. Ou tudo estará liqüidado.
Lorena
Penso que vc ainda é jovem, mas traz em si o peso dos séculos que marcam oos rodoios da humanidade.
Não creio que você seja uma pessoa triste,amargurada.Apenas encarna,quando escreve, e algumas vezes, o espírito dos filósofos que fracassaram na filosofia despedaçada.
Luiz Carlos